Sons do Corpo – Introdução à Percussão Corporal

Com o corpo, a gente pode produzir diversos tipos de sons (voluntários, involuntários, intensos, sutis, graves, médios, agudos, etc) e, se listarmos os diferentes timbres que fazem parte do nosso dia-dia, além da voz usada na fala, podemos lembrar também de outros: ronco, palma, assobio, estalo de dedo, respiração, espirro, soluço, arroto, etc.

Ao falar sobre os sons do corpo, geralmente, não temos noção da infinita variedade sonora que o corpo é capaz de produzir. Pensar neles pode até ser engraçado, porque, no senso comum, quando fala-se em sons do corpo, podemos pensar nos sons “inapropriados” ou sons que dão margem a piadas. Isso acontece, pelo pouco desenvolvimento da nossa reflexão sobre este potencial sonoro do corpo, inclusive, porque alguns sons estão tão incorporados que chega a ser difícil identificá-los.

Pare pra pensar: quantos tipos de som o seu corpo produz? Conforme refletimos, vamos lembrando, aos poucos, dos muitos sons que já produzimos sem perceber.

Além dos sons que a gente nem percebe, existem também aqueles que até chegamos a perceber um dia, geralmente quando crianças, mas quando adultos já não usamos mais. O que parece acontecer durante o nosso crescimento é que somos mais estimulados a usar certos tipos de sons e desencorajados a usar outros. Isso acontece, não só porque existem sons considerados culturalmente apropriados e inapropriados, mas também porque estipulam-se certos sons como padrão na comunicação sonora, por exemplo a voz na fala (comunicação verbal).

Exploração

Se pensarmos em relação à evolução dos seres vivos, seria fundamental para toda espécie, no seu processo de sobrevivência, o desenvolvimento da sua capacidade de adaptação ao ambiente. Nessa luta em busca da permanência, os seres vivos acabam explorando e descobrindo os recursos que garantirão o seu desenvolvimento, como, por exemplo, o som.

A utilização do som como ferramenta de comunicação entre os indivíduos da espécie vai ajudar a garantir, entre outras coisas, a articulação e a comunicação. Pensando nisso, podemos assumir que as origens da exploração dos sons do corpo estão conectadas às próprias origens do desenvolvimento do ser humano como um ser social.

Técnica

Nos últimos dez anos, mais atenção veio sendo atraída para este tipo de olhar sobre as práticas que utilizam os sons corporais, e muitos dos estudos também têm explorado os diferentes objetivos e finalidades de cada uso. Existem infinitas possibilidades e utilidades quando explora-se esse recurso tão rico, e a percussão corporal, em especial, tem se mostrado um universo muito versátil.

É difícil dizermos que a percussão corporal é uma prática nova, porque provavelmente ela já vem sendo desenvolvida desde nossas origens, mas o que é novo, neste caso, é a maneira com que olhamos, agora, para a exploração dos recursos sonoros do corpo. “Percussão corporal”, se conferirmos no dicionário, significa apenas a prática de percutir o corpo, mas esta expressão tem sido usada, não só em referência à prática de percutir partes do corpo, mas também em referência às técnicas que percutem o corpo e organizam seus sons dentro de uma estrutura musical.

A percussão corporal é um recurso que pode ser utilizado em muitas direções e, hoje em dia, já existem registros da prática sendo desenvolvida em áreas da música, educação, matemática, saúde, comunicação, treinamento corporativo, trabalho social e outros. Em geral, as práticas que se utilizam deste universo são muito bem sucedidas, quando o objetivo é relaxar, desenvolver capacidade de comunicação, liberar o estresse, estimular a criatividade, etc.

Saúde e bem estar

Quando se trata de saúde e bem estar, existe uma série de profissionais que trabalham com a percussão do corpo e redirecionam esta prática para suas áreas específicas. Em alguns ambientes, podemos até encontrar técnicas de percussão corporal sendo desenvolvidas sem nenhum interesse sonoro. Principalmente em certas técnicas de massagem, a percussão do corpo é utilizada unicamente com o objetivo de relaxar o corpo por meio da ressonância causada pela vibração da percussão.

Já nos casos de uso com objetivos sonoros, a percussão corporal também disponibiliza uma série de recursos que podem ser utilizados para a criação de ambientes terapêuticos. Na musicoterapia, por exemplo, a prática da percussão corporal tem grande utilidade e eficiência, pelo fato de ser uma prática que, em potencial, envolve e estimula os elementos som e corpo, podendo trabalhar a relação entre indivíduos e sua comunicação.

A percussão corporal não precisa necessariamente ser usada como ferramenta terapêutica apenas no ambiente da musicoterapia, pois não se restringe apenas a este tipo de universo terapêutico. Pelo fato de as atividades que trabalham com a exploração dos sons do corpo e com a percussão corporal possuirem, potencialmente, aspectos lúdicos, criativos, comunicativos e musicais, elas têm sido muito úteis para a criação de uma atmosfera terapêutica em muitos outros ambientes.

Cultura e arte

A percussão, de modo geral, já é uma prática bastante associada a culturas populares e a percussão do corpo acompanha este mesmo raciocínio. Em várias culturas, podemos observar a presença deste tipo de prática como recurso musical, e, nas atividades de cultura popular, onde dança e música trabalham quase sempre juntas, encontramos vários tipos de percussão corporal. Em cada lugar, ela é desenvolvida dentro de um estilo e, conforme analisamos seu tipo de técnica e nível de complexidade, conseguimos até identificar diálogos com o respectivo contexto cultural.

Em alguns casos, surgiram expressões complementares e relacionadas com a percussão corporal, como “música corporal”, “dança percussiva”, “música orgânica”, “dança vocal” e outras, referindo-se a este universo, onde os sons do corpo servem como recurso musical, cênico e artístico. O mais importante talvez não seja nos preocuparmos com a delimitação destas linguagens, mas sim prestarmos atenção na riqueza de cada experiência artística.

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Escrito por Pedro Consorte e publicado no Batera.com.br

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