O que é Ritmo?

Para entendermos melhor a nossa relação com o ritmo, é importante ampliarmos a compreensão: pensemos não apenas no mundo musical, mas também em outros universos onde a gente consiga identificar este tipo de fenômeno. Se expandirmos o nosso entendimento para além do universo musical, poderemos perceber que o ritmo está em muito do que nos cerca, inclusive em nós mesmos. Ao descobrir o tipo de conexão que temos com o ritmo fora do universo musical melhoramos a compreensão da relação que temos com ele dentro do próprio universo da música.

Começando pelo dicionário, diz-se que a palavra “ritmo” vem do grego rhythmós, e este termo se refere a uma certa forma de organização. A descrição de ritmo, segundo esta linha de pensamento, explica que ele é formado por fenômenos que ocorrem com uma periodicidade cíclica e repetitiva.

Se pensarmos em eventos da natureza, podemos ver o ritmo em diversas situações, como o ritmo diário (dia e noite), o ritmo das marés, o ritmo mensal (fenômenos astronômicos), o ritmo anual (translação), etc. Do ponto de vista da natureza, a maior parte dos ritmos é fortemente influenciada por fatores ambientais, principalmente pela temperatura e iluminação. Biologicamente, temos ritmos em atividades do corpo humano, desde ritmos mais fáceis serem identificados, por causa da sua alta frequência (batimentos cardíacos, respiração e circulação sanguínea), até ritmos com intervalos de maior duração ou menor frequência (sono, vigília, alimentação, excreção, ovulação, etc). Estes fenômenos do corpo humano são atividades que possuem uma organização ritmada, mas não são controlados conscientemente por nós. Porém, existem também as atividades que envolvem o corpo e se utilizam do ritmo de uma forma mais induzida e controlada.

Se analisarmos as ações cotidianas do corpo humano que envolvem coordenação motora e movimento, podemos perceber relações interessantes com o ritmo. Pense: quantas atividades com movimentos repetitivos e/ou ritmados você tem desde a hora em que acorda?

Em atividades comuns à maioria das pessoas (caminhar, escovar os dentes, falar, mastigar) podemos perceber que o ritmo na frequência do movimento ajuda a potencializar a eficiência da atividade. O caminhar, por exemplo, se tivesse uma frequência instável de passos curtos e largos se alternando aleatoriamente, seria muito mais difícil e trabalhoso, analisado do ponto de vista do seu objetivo mais convencional (deslocamento). O nível de atenção, neste caso, precisaria ser maior, por causa da instabilidade da organização.

O foco e o nível de atenção que precisamos dedicar a uma atividade específica têm relação interessante com a organização rítmica do movimento da própria atividade. As práticas que possuem uma organização ritmada de movimento parecem abrir mais espaço para a atenção e o foco passearem por outros assuntos, enquanto a pessoa realiza aquela ação. Já, no momento em que a organização de movimento se torna instável e caótica, a atenção parece precisar estar mais focada no exato momento da ação. Por exemplo, quando caminhamos em um terreno estável e plano, o movimento se torna automático e essa rítmica nos permite, inclusive, pensar em outros assuntos enquanto caminhamos. Mas, se há muitas poças d’água no caminho, o caminhar se torna instável e a atenção precisa focar integralmente na ação do movimento.

Além dos ritmos biológicos, a gente também tem ritmos mais culturais, como os ritmos de vida. Nesta categoria, podemos pensar na maneira como organizamos (ou não!) as nossas atividades diárias e quanto tempo destinamos a cada uma delas. Dependendo de como organizamos este tipo de ritmo, podemos estabelecer também relações com o nosso bem estar e níveis de tranquilidade. Muitas vezes, em um ritmo mais acelerado de vida, acabamos nos angustiando quando organizamos muitas atividades para um curto período. Fica a dica!

O ritmo também pode ser visto do ponto de vista do universo musical, onde ele organizará os sons de uma forma especial. Em alguns estilos musicais, onde não há necessariamente uma organização rítmica, como o freejazz ou a improvisação livre, podemos sentir mais dificuldade no processo de apreciação da musicalidade. Talvez essa dificuldade venha por causa da alta quantidade de informação não organizada da forma mais convencional, à qual estamos acostumados. O ritmo na música é um recurso que não necessariamente precisa ser usado, mas o seu valor é indiscutível e o efeito de um bom uso é mágico.

Será que já conseguimos descrever o ritmo? Será que ele é descritível? O ritmo parece ser uma organização que nos ajuda a ter fluência em certas atividades e que, muitas vezes, acaba nos envolvendo de formas até inconscientes. Há ritmo na música, na dança, no design, na poesia, na medicina, na física… Pense aí! Quais são os lugares mais variados onde podemos identificar o ritmo? Quanto mais pontos de vista sobre ele, melhor será a nossa compreensão.

Para alimentar esse interesse, escolhi dois vídeos especiais para compartilhar com vocês.

O primeiro é um vídeo que fala sobre a relação entre ritmo e movimento montado com um material gravado na Guiné (África), dirigido por Thomas Roebers ?e Floris Leeuwenberg, com uma edição e montagem que falam por si só.

O segundo é um trecho de um documentário muito interessante da BBC, chamado “Como funciona a Música” (“How Music Works”). Nesta parte do documentário, Howard Goodall descreve de forma muito direta e sensível como funciona o ritmo na música.

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