Amizade Olímpica (Jornal do Colégio Friburgo)

Trecho da matéria feita para o Jornal do Colégio Friburgo, contando sobre a amizade e as trajetórias de Pedro Consorte e Felipe Kitadai, ex-alunos, que se apresentaram durante os Jogos Olímpicos de 2012.

(…)

SONHO DE INFÂNCIA

Já Pedro Consorte sonhava em participar do Stomp desde os 10 anos de idade , desde que decorou quase todos os movimentos da fita em VHS intitulada Out Loud produzida pela HBO. As primeiras coreografias idealizadas pelos ingleses Luke Cresswel e Steve McNicholas, na década de 1990, período de surgimento do grupo, começaram então a fazer parte de seu horizonte profissional .

Consorte ganhou sua primeira bateria aos três anos de idade e não parou mais de fazer som. Oriundo de uma família de artistas – mãe cantora, avó materna pianista, avô paterno ator e pai compositor e guitarrista, tudo levava a crer que o palco era seu destino.

Mas essa história poderia ter sido outra se ele não tivesse mudado de mala e cuia para o Friburgo. Sem conseguir se adaptar ao ritmo pouco flexível de uma outra escola, desestimulado, começou a tropeçar nos estudos e a se sentir infeliz até que acabou perdendo o ano, o primeiro do ensino médio.

Como sua mãe havia sido aluna do Friburgo e um tio, Robert McCrea, professor de teatro na escola, conhecia bem a abertura pedagógica para o caminho artístico, seguiu a orientação dos pais e recomeçou sua vida acadêmica. “Eu já era um ano mais velho e poderia ter sido recebido como repetente, mas todo mundo me abraçou, fui muito bem recebido e comecei a firmar amizades que foram crescendo durante todo o colegial”, lembra.

O artista recorda principalmente das relações pessoais que mantinha com os professores e funcionários, dos votos de confiança que eram depositados nos alunos, no estímulo sempre positivo, no uso de muitos equipamentos extra-curriculares, como o laboratório de informática, as aulas de cinema e criação de roteiro, que foram fundamentais para sua formação. “Recorri a essa memória quando entrei no Stomp e recebi toda confiança do grupo que apostou no meu crescimento”.

Consorte entrou na companhia estrangeira desempenhando um papel e hoje já representa dois personagens no elenco fixo da equipe que atua em Londres. O Stomp tem quatro companhias espalhadas pelo mundo: turnê americana, Nova Iorque, turnê européia e Londres. No Brasil e na América do Sul, o grupo costuma se apresentar de dois em dois anos, e a companhia que atua nessas áreas é a turnê americana.

Consorte foi descoberto de uma maneira inusitada. Quando já tinha comprado ingressos para o espetáculo do grupo no Credicard Hall, em 2011, foi visto por membros da equipe do Stomp no Facebook e se interessaram por seu trabalho corporal que já circulava em vídeos do YouTube, alguns deles com mais de 90 mil acessos.

Ele era aluno do terceiro ano do curso de Comunicação e Artes do Corpo da Puc-SP, foi uma espécie de cicerone do grupo em São Paulo, levando-os inclusive a ensaios da Vai-vai. Marcou uma audição em Nova York que acabou perdendo por causa de problemas com o visto. Mas logo depois passou em outra audição em Londres.

“Foi necessário muito foco e muita dedicação, só hoje um ano e pouco depois me dou conta do significado dessa trajetória e me emociono”, declara. Eram quase mil candidatos de todas as partes do mundo para oito vagas. Hoje ele faz de cinco a seis shows por semana, às vezes duas sessões por dia. Pedro Consorte se apresentou com o Stomp no encerramento das Olimpíadas de Londres.

“Eu comecei a pesquisar a percussão corporal sozinho, por volta de uns 14 anos. Entrei no Friburgo com 16 anos e comecei a fazer aulas opcionais de percussão corporal com o Cadu Granja. Então, o Barba (criador do grupo Barbatuques) me convidou para fazer parte do grupo de estudos dele. Em Londres, eu também dou workshops para grupos e aulas particulares. Fora isso, tenho o projeto London Body Music Jam, que é uma jam session onde as pessoas tocam e fazem música com seus próprios corpos. Eu comando os exercícios de improvisação musical. A rotina com o Stomp é bem animada, mas o corpo desenvolve a capacidade de lidar com ela, principalmente se você busca ter uma vida saudável em vários níveis diferentes.”, declarou.

Com relação à vitória do Kitadai ele recorda: “O Kitadai tinha que dar mil entrevistas, então ficamos juntos, conversando e curtindo a presença da família e dos amigos dele.”

Consorte cursou o Access to Music na Cantebury Christ Church University durante o período em que morou em Londres depois do Ensino Médio, enquanto escolhia o curso que iria fazer vestibular. Sobre participar do espetáculo de encerramento da Olímpiada? Bem, segundo ele, foi uma experiência incrível, sensacional, única! Alguém duvida?

JORNAL DO FRIBURGO • 15

FONTE: http://issuu.com/ucha/docs/jfriburgo2013

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