Bailarino Pedro Consorte ministra formação para equipe de arte- educadores do programa

Fotos: Maurício Burim/SE

Inspirar e expirar. Relaxar, ouvir o outro, valorizar a harmonia, a sintonia de um grupo. Essas atitudes e valores presentearam a formação da equipe de arte-educadores do Programa Teatro na Comunidade, que recebeu na última quinta-feira, o artista Pedro Consorte para uma experiência integradora voltada para a percepção corporal e os aspectos sinestésicos dos participantes.

Nesta formação, Consorte apresentou uma série de exercícios coletados ao longo do tempo, tanto de Stomp, quanto do Grupo de estudos do Barbatuques, ambos relacionados a importância da valorização do outro, da escuta ativa e percepção corporal.

Pedro é um rapaz simples, atento aos aspectos da construção íntima das individualidades. A postura, a alegria, o despojamento e a musicalidade são aspectos que somam às suas características como professor, potencializando nos seus treinamentos e workshops pelo Brasil a valorização das relações humanas.

Reconhecido internacionalmente, Consorte conta em entrevista para o Acontece na Rede, a sua trajetória no elenco do Grupo Inglês Stomp, suas atividades na área de treinamento e a importância da escuta na harmonização e integração de equipes.

Entrevista

Pedro, você tem uma formação bem vasta na área artística. Como posso te descrever, ator, bailarino, musicista?

Minha formação é bem híbrida. Em geral, costumo me apresentar como um pedagogo das artes performáticas. Esse é o trabalho que mais me identifico e sinto prazer em realizar. Adoro atuar com grupos, e inspirar por meio do potencial artístico, tanto em treinamento coorporativos como em workshops.

De onde surgiu o seu interesse por arte? Qual é a sua formação?

Minha formação é em Comunicação das Artes do Corpo – PUCSP, e, atualmente faço uma pós em Pedagogia da Cooperação e Metodologias Colaborativas. Área que me proporciona trabalhar com grupos o que eu adoro. Eu sempre gostei de atividades rítmicas e sempre que podia participava de atividades que envolviam percussão instrumental e corporal.

Você integrou o elenco do Grupo Stomp [trupe europeia de percussão], conte-nos como foi essa experiência.

Eu sempre me identifiquei com atividades relacionadas à música, percussão instrumental e corporal. Enquanto eu realizava a minha graduação em Comunicação em Artes do Corpo, tomei conhecimento sobre a audição do Stomp em Londres.  Me inscrevi e entrei!

E como foi o processo de seleção? Quais os critérios que te fizeram participar dessa experiência?

O Stomp tem quatro elencos que circulam pela Europa. A minha escolha foi pela equipe localizada em Londres e o processo de audição foi bem interessante e criativo. Na realidade, a sua estrutura era a de um workshop. Ficamos alguns dias participando de dinâmicas e exercícios de musicalidade. Nesse processo, eles apresentavam as técnicas do grupo e observavam quais pessoas se identificaram mais com a proposta do grupo. Assim, acabei sendo escolhido. Fiquei lá entre 2011 e 2013, quando voltei para o Brasil finalizar a minha graduação.

Qual o foco desta formação que você trouxe para a equipe do Teatro na Comunidade?

A minha atenção quando realizo algum workshop ou treinamento é proporcionar que as atividades sejam prazerosas e que façam sentido para quem participa. E esta equipe tem uma história com a arte-educação, um repertório que deve ser valorizado. Então, busco não ser impositivo. O meu foco é na integração e na harmonia do grupo.

Nas atividades que você desenvolveu, podemos destacar o seu convite para o desapego, para o relaxamento e para a escuta do outro na busca da harmonização de um grupo. Conte-nos sobre essa proposta, principalmente relacionando ao aspecto da liderança.

Todo mundo tem um pouco de liderança, mas se em um grupo todas as pessoas quiserem liderar ao mesmo tempo, ninguém vai se entender. Vai gerar um conflito, uma tensão. Nos exercícios, eu proponho o desapego dessas intenções, principalmente em relação às ideias do outro. Venho demonstrar que é possível harmonizar e integrar um grupo se nos tornarmos mais sensíveis à história do outro e às suas necessidades. Minha dica é: proponha menos ideias. Ouça mais. Como se fosse um recipiente vazio relaxe, desapegue de suas ideias e faça junto.

E qual a sua relação com a arte e essa possibilidade de harmonia pelo respeito e empatia? O que dos seus treinos e workshops também te transformou pessoalmente?

Eu entrei nesse universo porque logo nos primeiros contatos gostei e foi prazeroso e acontece que também adoro ensinar aquilo que é importante e significativo para mim. Não que eu seja uma pessoa perfeita e que eu já tenha todos esses valores que eu trago para os alunos, mas todas as vezes que eu aplico as técnicas eu sinto o aprendizado em mim também. Ele sempre volta para mim e isso é muito gratificante.

E quais seus planos para o futuro? Pretende retomar as atividades no Stomp ou em algum grupo nessa linha de atuação?

A princípio, pretendo finalizar a minha pós-graduação, mas eu gosto muito dos espetáculos. Como também foi uma escola na minha história como artista, pode ser sim que eu participe de algum projeto de espetáculo também. Ah, e já tenho uma agenda para retornar à Europa. Desta vez para a realização de alguns workshops, como o de hoje. Para mim, a experiência que mais sinto prazer em realizar.

Enquanto isso na coxia…

A contadora de histórias Wânia Karolis, confessa ter adorado a formação com o artista.

“Eu adorei o trabalho do Pedro, principalmente porque ele traz um alerta importantíssimo sobre o valor da escuta do outro e isso é de suma importância para a harmonia do grupo. Eu que atuo como educadora preciso estar atenta para esse desapego do controle e para a valorização da história de cada criança e para as suas experiências. Foi maravilhoso”.

Fonte: http://novo.guarulhos.sp.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=%2018257

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