Música Corporal: Educadores e Artistas Inaugurais

Artistas inaugurais

Muitos pensadores trouxeram, com seus respectivos processos de pedagogia musical, a atenção para a utilização dos sons corporais no processo de musicalização. Para RUGER (2007, p.22), Emile Jaques Dalcroze (186 -1 0), Edgar Willems (18 0- 1 78), Carl Orff (18 -1 82) e Murray Schafer (1 33-) buscaram um conhecimento musical pautado na prática e na vivência corporal. De acordo com SIMÃO (2013), Emile Jaques-Dalcroze, Carl Orff, Theophil Maier, Murray Schafer e Hans-Joachin Koellreutter “influenciaram a concepção e a criação da forma de ensino da percussão corporal do Barbatuques.” (SIMÃO, 2013, p.25).

Gramani, assim como Dalcroze, utiliza então do princípio fisiológico como base para a conscientização da rítmica. A utilização do corpo torna-se um meio eficiente para assimilação da ideia rítmica e geração de estruturas internas, consequência da prática de leituras rítmicas polimétricas – utilização simultânea de diferentes padrões rítmicos.

A estruturação polimétrica possui um caráter essencialmente polifônico, provocado pelo contraste de movimentos, e valorizado por Gramani através de jogos de regências e variações tímbricas, especialmente utilizando a percussão corporal em combinatórias entre pés, mão e voz cantada.

Mas Gramani vai mais além no seu trabalho, ampliando para o sentido de uma educação mais voltada ao senso métrico, possível influência do trabalho Rítmica Métrica, de Rolf Gelewski. […] Assim como Dalcroze, Rolf Gelewski também explora a vivência do ritmo através de percussões corporais e, até mesmo, grafismos, em exercícios orientados à execução individual e coletiva, voltados à composição, leitura e improvisação. (COELHO, 2008, p.11)

Pode-se dizer que esses mestres, citados anteriormente, ajudaram, junto com outros artistas, a despertar, no Brasil e em muitos outros países, um grande interesse artístico- pedagógico pelo universo dos sons do corpo. Bobby Mcferrin, Hermeto Paschoal, Naná Vasconcelos e Stenio Mendes, que pesquisam ou pesquisaram, entre outras coisas, explorações não convencionais dos sons corporais na produção de música, inspiraram, durante a década de 1990, muitos grupos e artistas brasileiros que se propuseram a investigar a percussão corporal em seus trabalhos.

Na verdade, minha vontade de me expressar usando percussão corporal surgiu da minha pesquisa com trabalhos solo, mais ou menos em 1986, quando, cada vez mais, comecei a misturar as experiências como bailarino e ator com a possibilidade de produzir música com meu corpo. Tudo isso, claramente impulsionado por Hermeto Paschoal, Bobby Mcferrin, Naná Vasconcelos, gravações de etnólogos em tribos africanas e, definitivamente, as pesquisas que fiz de final de 94 até meio de 95 com Comunidades de Cultura Popular na Bahia, Pernambuco e Maranhão.

O primeiro trabalho com o grupo foi o Omstrab que estreou a versão integral em setembro de 96 na Bienal de Dança de Lyon. Depois vieram os espetáculos Festa, Brecht combr, Fábrica, Omnibus, Montestoria, todos com percussão corporal. (Entrevista concedida por Fernando Lee em 7 de Março de 2014)

Em sua história, o núcleo Barbatuques pesquisa uma forma particular de fazer música corporal. As referências eram muito reduzidas, os mestres que inspiravam a concepção de música eram Bob McFerrin, Hermeto Pascoal, Naná Vasconcelos e o próprio Stenio [Stenio Mendes].

[…] O fato de não existir grupos de percussão corporal (ou se existiam, ninguém do grupo parecia conhecer) limitava as referências, mas ao mesmo tempo libertava, pois o grupo construía um trabalho que não era classificado dentro de algum padrão. O STOMP, por exemplo, foi uma referência que influenciou a pesquisa de movimento e ritmos de pés e mãos, e com sua maneira performática de se posicionar no palco. (SIMÃO, 2013, p.24)

*Esse texto é um trecho da monografia “Por mais relações porosas: repensando a Percussão Corporal, a partir da Teoria Corpomídia

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