Música Corporal, Comunicação e Cultura

percursão

(…) Alguns pesquisadores sugerem que a exploração dos sons do corpo esteve presente no início do desenvolvimento dos processos de comunicação do ser humano.

[…] pode-se notar que uma das formas mais antigas e universais de comunicação de caráter musical e parece que o mais remoto dos instrumentos foi a voz, ainda no tipo biológico de homem. Os sons dos primeiros hominídeos parecem ter sido análogos aos dos macacos atuais. Sons barulhentos para longas distâncias, características tonais nas notas, um sobe e desce nas frases, principalmente nos finais dessas, notas bifásicas e aceleramento rítmico. (PEDERIVA, 2009, p.35)

A necessidade de se comunicar fez o homem buscar e explorar recursos sonoros e encontrar em si mesmo algumas possibilidades. PEDERIVA (200 , p.36), citando BANNAN (2006), sugere que “Os sons organizados podem ter sido os primeiros meios de expressão dos hominídeos, cujas propriedades acústicas estariam mais próximas das formas e estruturas da música do que da fala semântica.”.

Segundo Michael Stevens, o som humano mais comum de se encontrar é o som do bater das palmas, levando-se em conta os sons corporais que não sejam de origem vocal. O ato de bater palmas se tornou um gesto social coletivo usado para expressar admiração e aprovação, especialmente em eventos que acontecem no palco. Segundo Stevens, de um ponto de vista mais fundamental e fisiológico, o impulso para o bater de palmas deve ter sido originado como uma forma das pessoas canalizarem um transbordamento de entusiasmo, reagindo, de forma imediata e primitiva, à excitação.

Se o ato de bater palmas puder ser considerado uma prática de percussão corporal, seremos capazes de identificá-lo nas mais diversas situações. A percussão do próprio corpo, na infância, por exemplo, é bastante presente, aparecendo, muitas vezes, nas brincadeiras musicais que se utilizam dos sons do corpo para propor jogos rítmicos e melódicos.

Trabalhos dedicados ao universo infantil, como, por exemplo, os programas de televisão Rá-Tim-Bum (1990) e o Castelo Rá-Tim-Bum (1994), exibidos pela TV Cultura, ou mesmo os grupos Palavra Cantada e Trii, trabalham com muitos elementos rítmicos que fazem com que as crianças se aproximem da percussão corporal.

No Brasil, muitos trabalhos de percussão corporal são contaminados e inspirados pelas manifestações de cultura popular. Isso acontece, não só pelo forte caráter rítmico da cultura popular brasileira, mas também pela recorrente participação dos sons do corpo nestas manifestações, aparecendo nas palmas, nos cantos e nas danças percussivas. A Catira, o Fandango, o Xaxado, o Coco de Recife e o Coco de Arcoverde são exemplos de danças que podem ser vistas, do ponto de vista do universo da percussão corporal. Por meio de coreografias para os pés, elas produzem, com diferentes formas de sapateado, ritmos que ajudam a compor a musicalidade das manifestações às quais pertencem.

*Esse texto é um trecho da monografia “Por mais relações porosas: repensando a Percussão Corporal, a partir da Teoria Corpomídia

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