Percussão Corporal, Ivaldo Bertazzo e Gumboots

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No Brasil, artistas e grupos desenvolveram trabalhos que, mesmo não tendo a percussão corporal como foco único, pontuaram realizações pioneiras e enriquecedoras para este universo.

Ivaldo Bertazzo, coreógrafo, diretor e pesquisador do movimento, inspirado sobretudo nas danças de outras culturas, sobretudo nas danças clássicas indianas, como o kathak e bharata-natyan, realizou pesquisas sobre elementos rítmicos que dialogam com a percussão corporal. Estes elementos também fazem parte do método de Reeducação do Movimento, que Bertazzo vem desenvolvendo há anos.

As extremidades corporais (pés e mãos) requerem uma atenção especial: assim como a percussão ritmada dos pés no solo coloca em vibração todo o corpo, os distintos movimentos da mão mobilizam o aparelho locomotor e permitem a ampliação da expressividade corporal. […] Um dos recursos usados pela técnica de Reeducação é a percussão corporal, que ajuda no processo de conhecimento e entendimento do próprio corpo, tornando-o presente na ação.

Os movimentos cruzados de pernas e mãos, e a própria junção destas, ajudam a criar unidade e a equilibrar o tônus muscular. As estruturas da face, trabalhadas no canto, em conjunto com os exercícios de percussão para braços e pernas, resultam em uma melhor percepção do movimento e também em numa relação melhor com outros indivíduos. (BOGÉA, 2007, p.265)

Esta relação de proximidade com as práticas percussivas corporais está no trabalho de Bertazzo.

No trabalho de percussão dos pés no chão, não se usam apenas os músculos dos pés, mas também todo o peso do corpo sustentado pelos músculos. Durante os movimentos, os pés não devem estar sem forma nem tampouco serem enfáticos demais. Nas sequências de movimentos, há de serem observadas a velocidade e a precisão da colocação da cabeça, dos braços e das mãos, associadas ao ritmo marcado pelos pés. (BOGÉA, 2007, p.243)

Esta proximidade se tornou ainda maior, durante o processo de construção do espetáculo Milágrimas, em 2005, no qual, utilizaram-se, como parte do treinamento dos dançarinos, técnicas de percussão corporal baseadas no Gumboot dance22, uma dança percussiva da África do Sul.

Dos nove membros que compõem o grupo The Kholwa Brothers, quatro vieram trabalhar no espetáculo: Zibonele Derrick Mlambo, Mandlenkosi Francis Mlambo, Bonokwakhe Robert Mbabo e Mqoqeni Mike Mbabo. Fazem urn repertório de músicas tradicionais adaptadas por Mlambo. Ele explica: “A nossa música tradicional é chamada ingoma (…) e se divide em diferentes tipos: isicathamiya, isishamene, amahubo”. O principal estilo apresentado por eles foi a isicathamiya,239 um coro a capella com percussão corporal. (BOGÉA, 2007, p.174)

O Gumboot surgiu em meados do século XIX no Sul da África, como um recurso que os mineradores explorados, pertencentes a diversas culturas diferentes, encontraram para se comunicar, utilizando percussão das botas como linguagem rítmica, dentro das minas. A técnica foi levada para fora do ambiente de trabalho e desenvolvida dentro das manifestações artísticas, sendo, hoje, uma das mais significativas técnicas de dança percussiva. (http://gumbootdancebrasil.blogspot.com.br/p/origem-do-gumboot-dance.html)

Este trabalho foi fundamental para a desenvolvimento do Gumboot no Brasil e alimentou, por exemplo, a criação de companhias como a Gumboot Dance Brasil, dirigida por Rubens Oliveira, e Núcleo Ximbra, dirigida por Édson Lima.

*Esse texto é um trecho da monografia “Por mais relações porosas: repensando a Percussão Corporal, a partir da Teoria Corpomídia

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