Música Corporal, Diversidade e Inclusão

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Granja (2010, p.124) observa as diferentes formas de percepção que podem coexistir em um mesmo grupo: “É curioso notar que essa predisposição perceptiva varia de pessoa para pessoa. Para alguns, o caminho da percepção tácita […] o melhor. […] Outros preferem um caminho mais racional […]”.

Fernando Barba comenta a respeito do assunto, ressaltando aspectos que caracterizam sua própria proposta artístico-pedagógica:

“[A percussão corporal] Traz um elemento das qualidades individuais de cada um representadas na forma que toca, no que pode fazer, no que não consegue, pensando nas limitações físicas, mentais, emocionais.” (Entrevista concedida por Fernando “Barba”, em São Paulo, dia 3 de dezembro de 2013) .

Not everyone learns in the same way and we can therefore not use the same teaching strategies with all students because they will react to them in different ways. The teacher should pay attention to the students and think about the diversity of the group. This will allow him/her to behave in the right way in the classroom and as such vary the strategies used in function of the circumstances. (NARANJO, 2012, v.1, p.29)

Os exercícios e as formas de trabalhar com percussão corporal não dizem respeito apenas à produção de ritmos a partir da percussão do corpo. Propostas de procedimentos (pedagógicos ou artísticos) que valorizam exclusivamente a repetição de padrões, não considerando a produção individual e a forma única que cada corpo tem de lidar com as informações, tendem a dualizar e hierarquizar as relações entre professor e aluno, diretor e intérprete etc.

Quando há o aproveitamento da experiência singular de cada um, as relações se mostram mais porosas e adequadas à transformação dos momentos de aprendizagem em situações também estimuladoras dos processos de criação.

(…)

Quando se trabalha com procedimentos, exercícios e jogos que propõem o ambiente de estudo como um espaço aberto para colaborações, se aproxima este momento de uma quase criação coletiva, pois se leva em conta que o respeito pelas individualidades estimula a contribuição particular que cada um pode dar.

A porosidade das relações se enriquece quando o caráter coletivo da prática aumenta. Esse traço adquire ainda maior importância quando se trata de uma oficina de caráter inclusivo. Segundo o Barbatuques, essa é uma das características que mais potencializam a prática da percussão corporal no seu trabalho, pois faz com que a diversidade possa se transformar em um fator fundamental para o enriquecimento coletivo.

Segundo Simão (2013, p.4), “A música não só para os músicos ou para aqueles que tem um dom especial”. Pinker (2004, p. 7) também aponta na direção da força de uma ação inclusiva: “[…] apesar de todas as imperfeições e idiossincrasias, um conjunto de olhos, ouvidos e cabe as interconectados mais forte do que os de uma nica pessoa”. Greiner (2006, p.103) complementa, ressaltando a importância do trânsito entre as instãncias:

“[…] a cultura se constrói no trânsito entre o individual e o coletivo, entre o dentro e fora do corpo, operando o tempo inteiro num continuum entre emoção, razão, ação corpórea incluindo a aptidão para conceituação […].”.

Os exercícios [oficinas do Barbatuques] privilegiam amplamente momentos de criação musical e conduzem seus participantes a uma colaboração mútua para se chegar a uma harmonia sonora, onde “para se fazer música preciso ouvir o outro, ouvir a si próprio exercitando o diálogo, a cooperação e a tolerância. (GRANJA apud SILVA, 2014, p.19)

(…)

*Esse texto é um trecho da monografia “Por mais relações porosas: repensando a Percussão Corporal, a partir da Teoria Corpomídia

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