“Você nunca mais vai querer ir direto ao assunto.”

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Durante a minha vida toda, sempre que eu quis ser produtivo, não perdi tempo e fui direto ao assunto. Nas experiências individuais, isso deu super certo. Mas, quando, de alguma forma, a situação envolvia outras pessoas, foi bem diferente.

Eu demorei apenas a minha vida toda pra perceber isso. Só que, finalmente, a ficha caiu. E essa mudança desencadeou um efeito-dominó de insights que foram, pouco a pouco, transformando a minha visão sobre produtividade, dando fluxo pros meus processos e fortalecendo minhas relações pessoais-profissionais.

A ideia clássica de eficiência e produtividade, geralmente, se baseia numa postura imediatista, que vai direto ao que interessa, cortando etapas “desnecessárias” e investindo, a qualquer custo, na conquista das metas pela sobrecarga. Essa mentalidade aparece em muitos lugares: tanto nas pequenas situações do dia-dia, quanto em maiores proporções, influenciando estruturas gigantescas e ditando, não só as regras de como as pessoas devem trabalhar, mas também elas devem se relacionar.

– Mas, então, o que fazer pra ser mais produtivo?

Exigir mais? Ser mais direto? Mais técnico?  Mais duro? Botar mais pressão? Mais força? Mais agilidade?

Esse é um caminho. Mas talvez ele seja o caminho mais curto, mais reativo, mais superficial. Como muitas fórmulas antigas, hoje em dia, essa equação está sendo repensada, principalmente porque ela ignora elementos fundamentais para que exista fluxo de qualidade. Um desses elementos é a reflexão sobre o equilíbrio entre:

“O QUE” e”COMO”

“O QUE” é o nosso objetivo, a nossa meta, aonde a gente costuma botar a maior parte do nosso foco. Quanto mais formos direto ao assunto, mais produtivos seremos, certo? E, se por algum motivo, a gente gasta energia no “COMO”, é numa tentativa de reduzir os desperdícios e maximizar a execução técnica da tarefa que temos a cumprir. E é aí que a porca torce o rabo. =(

Te apresento agora a regra nº1 da Produtividade INsustentável:

Esquecer que o sistema envolve seres humanos

Os processos que envolvem seres humanos são muito diferentes de outros processos, que, por exemplo, envolvem máquinas, aparelhos, dispositivos automatizados e etc. Mesmo quando humanos e máquinas interagem em um mesmo contexto, se há humanos envolvidos, isso é uma informação muito importante para ser levada em conta.

Qualquer processo que envolva ou dependa de seres humanos para acontecer precisa estar atento a um pequeno detalhe, que, muitas vezes, é esquecido: o aspecto humano do ser humano. Ãn? Sim! E eu não to falando aqui do ser humano, de um ponto de vista da humanização-alternativa-hippie-paz-e-amor. To falando do ponto de vista estratégico da eficiência e da produtividade. Considerar o humano vai ajudar a produtividade!

Aí, você me vem com a sua rebeldia e diz:

– Mas, na China, tem fábricas que nem ligam pro ser humano e até passam a produzir mais, quando proíbem seus funcionários de irem ao banheiro, forçando todo mundo a usar fralda durante o trabalho. Isso também é produtividade!

Tudo bem. Aí, vai depender do significado que você vê na palavra:

PRODUTIVIDADE

Produtividade pode ter a ver com produção? Sim, claro. E pode ter a ver com dinheiro, com lucro? Sim. E também pode ter a ver com mais quantidade em menos tempo? Sim.

Mas também tem muito a ver com fluxo, qualidadesatisfação, longevidade e felicidade. Pensa você no que seria um dia produtivo. Produtividade tem a ver com bem estar, não tem? Só que isso, pra quem ainda tem uma mentalidade desatualizada, é uma simples frescura, uma perda de tempo.

Num ambiente de trabalho construído sob a mentalidade clássica de produtividade, tanto chefes quanto funcionários estão imersos nos desgastes e nas perdas que essa visão antiga acarreta. E há perdas de naturezas diferentes. Alguns escolhem abrir mão de vida social, outros de tempo, outros de valores, outros de relações afetivas e familiares, outros de saúde, por aí vai. Isso é produtividade pra você?

Felizmente, por mais que ainda esteja demorando pra a endeusada imagem do trabalhador workaholic ser desconstruída da cabeça de muitas pessoas, para outras, essa chave já virou.

Muitos empreendedores das mais diferentes áreas tem investido nas formas diferentes de pensar a produtividade, especialmente naquelas que levam em consideração os aspectos humanos dos processos. Não porque, da noite pro dia, todo mundo decidiu fica bonzinho. Mas, principalmente, porque esse é um processo que também pode ser direcionado para o lucro!

AAAAAAAAH, O LUCRO!!!

Sim, a felicidade dos funcionários pode dar lucro, já dizia Márcio Fernandes, o revolucionário CEO da Elektro. E o lucro, numa empresa, pode vir, tanto do ato de investir na felicidade interna (funcionários), quanto na externa (clientes).

Pera aí! Que bruxaria é essa?

Vem comigo..

  • Lucro tem a ver com fluxo.
  • Fluxo tem a ver com desimpedimento.
  • Desimpedimento tem a ver com resolução de problemas.
  • Resolução de problemas tem a ver com bem estar.
  • Bem estar tem a ver com atender as necessidades humanas básicas. 

E essa última da lista é, na verdade, um processo crucial na conquista de uma produtividade global, sustentável e de longo prazo. É a famosa Humanização.

Humanização é o ato de humanizar. É o ato de criar condições (regras, procedimentos, acordos, rituais, hábitos) que permitam que um processo, além de não violentar a natureza humana, passe a priorizar, antes de qualquer coisa, as necessidades humanas mais básicas, os aspectos mais humanos do ser humano.

Mas que aspectos?

O que torna humano um ser humano?

Quais são as características, necessidades e direitos do ser humano?

As respostas pra essas perguntas a gente consegue intuir facilmente, né? Mas, muitas vezes, elas são totalmente desconsideradas ou deixadas em último plano, principalmente nos processos que exigem, com uma certa urgência, a realização de uma tarefa ou a produção de resultados específicos em pouco tempo.

Só que, hoje em dia, já tem uma galera se dando conta de que, mesmo que o objetivo seja o lucro, é estrategicamente importante investir na humanização não só dos processos, mas também dos ambientes de trabalho e das relações entre as pessoas. Isso é importante, exatamente porque o fluxo e, consequentemente, a produtividade desse processos depende do quão bem estão as pessoas que são responsáveis por realizar as tarefas estabelecidas. Isso é óbvio e, ao mesmo tempo, revolucionário.

Mas essa sacada não é útil só pra grandes empreendedores e CEOs de multinacionais. Ela serve pra você e pra mim. Atropelar o lado humano das pessoas só vai empacar o seu processo. Eu mesmo consigo me ver telefonando pra minha mãe, nem perguntando se ela pode falar ou como ela está, e atropelando tudo, querendo ir “direto ao que interessa”, pra não perder tempo, pra aproveitar bem o meu tempo, pra ser produtivo.

Fica com essa:

Quanto mais você, antes de ir direto ao assunto, considerar os aspectos humanos das pessoas com quem você tá se relacionando, mais os seus processos vão fluir.

Bota isso em prática e depois você me conta. O bagulho é loko!

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2 opiniões sobre ““Você nunca mais vai querer ir direto ao assunto.”

  1. Boa noite, Pedro e como dizem popularmente devagar também é pressa! Se já não tivesse tanta estrada de aulas e trabalhos com pessoas não entenderia. Muito bom, posso citar seu texto em trabalho acadêmico? Forte abraço!

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